Acesso ao crédito mais difícil para as empresas
Maiores dificuldades de acesso ao crédito, sobretudo para as pequenas empresas, taxas de juro mais altas e maior pessimismo relativamente à conjuntura económica actual e à sua evolução são alguns dos traços que se desenham no panorama da actividade empresarial este ano. Ainda assim, seis em cada dez empresas tencionam manter o investimento neste ano.
“O custo e o acesso ao crédito estão bem mais caros e difíceis, muito particularmente para as micro empresas”, afirmou o presidente da Associação Industrial Portuguesa – Confederação Empresarial (AIP-CE), José Rocha de Matos, durante a apresentação do Inquérito à Actividade Empresarial (IAE).
Das empresas que recorrem ao crédito bancário, a maioria (63 por cento) paga taxas de juro nos empréstimos situadas entre cinco a 7,5 por cento, o que significa um aumento de 22 pontos percentuais em relação ao ano passado.
Segundo o presidente da AIP, este dado ganha ainda mais expressão quando confrontado com o facto de as empresas que pagam taxas de juro inferiores a cinco por cento terem passado de 52 por cento em 2007 para apenas 24 por cento em 2008.
Para além disso, o IAE concluiu que cerca de 20 por cento das empresas que utilizam crédito bancário afirmam ter dificuldades no acesso ao mesmo. Este valor aumenta consideravelmente no caso das micro empresas (31 por cento) e é menor para as grandes companhias (13 por cento).
Por outro lado, cerca de 36 por cento das empresas consideram que, actualmente, o acesso ao crédito está mais restritivo, em relação ao ano anterior.
Contudo, diz Rocha de Matos, o “elemento mais preocupante” é o facto de 88 por cento das empresas (mais 24 por cento do que no ano passado) avaliarem a conjuntura económica como “má ou muito má”, sendo que 69 por cento considera que ela será ainda “pior ou muito pior”.
No entanto, apesar destes condicionantes, o presidente da AIP destaca que as empresas nacionais mostram “vontade e capacidade para continuar a investir”. O IAE concluiu que seis em cada dez empresas tencionam manter o investimento este ano, mas a diferença entre pequenas e grandes companhias é aqui significativa.
As intenções de investimento para 2008 sobem para 82 por cento nas grandes empresas, com uma diferença de mais de 37 por cento em relação às micro empresas. Por outro lado, a percentagem das empresas que admitem aumentar o valor dos investimentos é maior entre as exportadoras (43 por cento) do que nas não exportadoras (36 por cento).
Um cenário semelhante coloca-se relativamente à evolução da procura no mercado externo. Cerca de 68 por cento das empresas exportadores prevêem um aumento das suas exportações em 2008. Ainda assim, no ano passado, esse valor estava nos 80 por cento.
Já em relação ao mercado interno, as perspectivas de evolução da procura não se revelam tão animadoras, sendo que 34 por cento das empresas acreditam que vai ser “inferior ou muito inferior”, 37 por cento afirmam que será “igual” e 29 por cento que será “superior ou muito superior”.
Ainda assim, 57 por cento das empresas consideram a sua situação financeira como normal e 26 por cento como boa ou muito boa. No que se refere ao volume de negócios em 2007, 63 por cento das empresas referem que foi superior ao registado no ano anterior.
A AIP elabora o IAE desde 1995, com base numa amostra formada por empresas associadas e não associadas da AIP-CE, através de inquéritos recolhidos na última semana de Maio e em Junho de 2008, respeitantes a 1260 empresas. (in publico.pt)
