Fuga aos certificados de aforro dispara 35% em Julho
Wednesday, August 13th, 2008Em Julho, os portugueses retiraram 222 milhões dos certificados. São mais 35% em amortizações e o valor mais elevado desde Abril.
Os portugueses continuam a retirar dinheiro dos certificados de aforro. Depois do abrandamento que se vinha a verificar desde Março deste ano nas amortizações, a tendência inverteu-se e o montante dos resgates voltou a acelerar em Julho. No mês passado, os portugueses retiraram 222 milhões de euros dos certificados, o que corresponde a um aumento de 35% face aos 165 milhões de euros das amortizações de Junho. Este é o montante mais elevado de saída dos certificados em três meses.
Também nas emissões verificou-se a mesma tendência, com o montante de entrada dos investidores a subir 28% face ao mês anterior, o que já não acontecia desde Abril.
De acordo com o boletim mensal do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP), em Julho, os investidores colocaram na nova série C - a única que se encontra actualmente disponível para subscrição - 102 milhões de euros, ou seja, mais 22 milhões em relação ao mês anterior.
Desde que o Governo inaugurou a série C e alterou as regras dos certificados, no final de Janeiro, os portugueses já tiraram 1,32 mil milhões de euros dos certificados. Um montante que quando comparado com os 596 milhões de emissões, traduz-se num saldo negativo de 724 milhões de euros.
Com a saída de investidores, em Maio, o Governo enviou uma carta aos 700 mil aforradores, numa tentativa de travar a fuga dos certificados. A carta do Governo, aliada à subida Euribor poderá ter contribuído para o abrandamento que se verificou nos últimos meses. As taxas Euribor estão a negociar em máximos de 2000.
Investidores aguardam resposta de Costa Pina
Com a introdução da nova série C dos certificados de aforro, o Governo fez algumas alterações das regras. E são essas as alterações que estão em discussão.
Em Maio, a Associação Portuguesa de Consumidores de Produtos Financeiros (Sefin) remeteu uma carta ao Provedor de Justiça, onde solicitou que fosse estudada a alteração das regras e se considere a eventual existência de ilegalidades. Na base do pedido da Sefin, está um parecer jurídico que conclui pela existência de ilegalidades nas alterações ao regime.
No mês passado, o Provedor de Justiça remeteu um ofício dirigido ao secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Carlos Costa Pina, onde pede esclarecimentos sobre as alterações das regras dos certificados.
O Diário Económico tentou contactar Costa Pina, mas não foi possível obter uma reacção. (in diarioeconomico.com)




