Archive for the ‘Crédito Bancário’ Category

Está cada vez mais difícil conseguir empréstimos

Saturday, November 8th, 2008

Os bancos em Portugal estão a cortar na concessão de empréstimos à habitação, ao consumo e às empresas, recorrendo ao aumento dos “spreads” e a novos critérios para emprestar dinheiro.

O “Inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito” divulgado ontem pelo Banco de Portugal (BdP), mostra que no terceiro trimestre do ano, os portugueses tiveram mais dificuldade em conseguir empréstimos na banca, do que no trimestre anterior. Ao mesmo tempo, os cinco bancos que participaram no inquérito sentiram uma diminuição da procura por parte das empresas e dos particulares.

Segundo o BdP, a alteração de requisitos por parte da banca para conceder empréstimos traduziu-se “em spreads de taxa de juro mais elevados e num aumento de restritividade das restantes condições contratuais, como sejam o encurtamento da maturidade de novos contratos, a redução dos montantes concedidos e do rácio entre o valor do empréstimo e da garantia”. A lista de novas condições para emprestar dinheiro continua com maiores exigências nas garantias solicitadas, maiores comissões “e outros encargos não relacionados com as taxas de juro e a imposição de outras condições contratuais não pecuniárias mais apertadas”, refere o BdP.

A crise que se vive nos mercados financeiros está por trás dos novos critérios da banca que enfrenta a falta de liquidez nos mercados e a consequente subida dos custos de financiamento. Para os últimos três meses do ano não se espera melhorias. A banca prevê restringir ainda mais os critérios de concessão de empréstimos à habitação e para as empresas, mas também no crédito ao consumo. Para todos os segmentos são esperadas quedas na procura no quarto trimestre. (in Jornal de Notícias)

Têxtil avisa que o aumento do salário mínimo pode aumentar falências no sector

Thursday, October 30th, 2008

A Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção (ANIVEC/APIV) acusou hoje o Governo de “asfixiar” o sector ao estabelecer um aumento de 24 euros no salário mínimo e alertou para o risco de “aumento exponencial” de falências.

“Somos nós, os que trabalhamos nesta indústria, quem tem mais consciência da necessidade de melhorar as condições dos nossos trabalhadores, mas a baixa produtividade aconselha prudência na aplicação deste aumento, que é desejável, mas de momento impossível”, defende o presidente da associação, em comunicado.

Para Orlando Lopes da Cunha, “é incomportável que se esteja a agravar uma situação económica e financeira já de si grave”. “A persistir-se nesta falta de sensibilidade, as falências vão multiplicar-se exponencialmente”, alerta.

Recusando estar apenas em causa um aumento de 24 euros, a ANIVEC/APIV argumenta que este valor, acrescido dos devidos descontos para a Segurança Social e multiplicado por 14 salários anuais, se traduzirá num custo acrescido de 416 euros por trabalhador/ano.

“E, como estamos a falar de pequenas e médias empresas com mão-de-obra intensiva, numa empresa com 100 trabalhadores resulta em mais 41.600 euros”, sustenta, salientando que este aumento de custos acontece “numa altura em que as margens são reduzidas e a actividade está a diminuir, sendo os salários custos fixos”.

Para o presidente da ANIVEC/APIV, “se, antes desta crise, os industriais do sector do vestuário já se encontravam em situação difícil, neste momento esta é simplesmente asfixiante”.

Embora admita a necessidade de melhores salários no sector, a associação defende que, “para isso, terá que haver condições” e sustenta que “a negociação para o aumento do salário mínimo nacional pressupunha o estabelecimento de contrapartidas para os sectores que obrigatoriamente teriam dificuldades em o suportar”, como os de mão-de-obra intensiva. (in Público)

Espanha cria fundo até 50 mil milhões de euros para estimular o crédito

Tuesday, October 7th, 2008

O primeiro-ministro espanhol anunciou hoje a criação “extraordinária” de um fundo do Tesouro de 30 mil milhões de euros, que podem ser ampliados para os 50 mil milhões de euros, para estimular o mercado de crédito.

José Luís Zapatero disse que o fundo “não é para resgatar nem para sanear” o sector financeiro, mas serve para estimular o apoio tanto a empresas como indivíduos, restaurando a confiança no sistema espanhol. (in Público)

Bancos portugueses voltam a apertar critérios para concessão de crédito

Friday, August 8th, 2008

O inquérito realizado em Julho pelo Banco Central Europeu (BCE) aos cinco grupos bancários portugueses revelou que os critérios de concessão de empréstimos às empresas e aos particulares tornaram-se mais restritivos no segundo trimestre de 2008, em relação ao trimestre anterior.

Segundo os dados hoje divulgados pelo BCE, a restrição dos critérios para os empréstimos, que tem vindo a ser registada desde o início da turbulência nos mercados financeiros no Verão de 2007, deve-se essencialmente ao aumento dos custos de financiamento e restrições de balanço dos bancos, bem como a uma deterioração dos riscos apercebidos pelas instituições inquiridas.

“Num contexto de aplicação de condições mais restritivas na oferta de crédito, os bancos reportaram algumas alterações nas condições oferecidas nos empréstimos, entre as quais se destacam o aumento dos ’spreads’ aplicados, em especial no que respeita aos empréstimos concedidos a particulares de maior risco, bem como o aumento da exigência relativa a outras condições contratuais, nomeadamente por via da redução das maturidades e dos montantes, assim como do aumento das comissões e da exigência de garantias e de condições contratuais não pecuniárias (covenants) mais restritivas”, lê-se no texto do documento.

O BCE nota que, no segundo trimestre de 2008, a procura de empréstimos por parte das empresas não terá sofrido alterações significativas, uma vez que apenas um dos grupos bancários inquiridos reportado uma ligeira diminuição da mesma.

Já a procura de empréstimos por parte das firmas terá sido negativamente afectada pela diminuição das necessidades de financiamento de investimento e de fusões/aquisições e reestruturação empresarial, assim como pelo maior recurso a fontes de financiamento alternativas por parte das empresas. O aumento das necessidades de financiamento de existências e de necessidades de fundo de maneio, assim como das necessidades de financiamento para reestruturação da dívida, por outro lado, terão contribuído no sentido oposto.

“Os bancos inquiridos reportaram ainda uma diminuição da procura de empréstimos por particulares, facto que deverá ter sido mais relevante no crédito à habitação do que no crédito ao consumo e outros empréstimos. Este comportamento terá estado associado a uma diminuição das necessidades de financiamento dos particulares bem como ao recurso por parte destes a fontes de financiamento alternativas, tendo este factor sido especialmente relevante na procura de empréstimos para consumo e outros fins”, diz o documento. (in diarioeconomico.com)

Três milhões têm depósitos a prazo

Sunday, August 3rd, 2008

Quase 40% da população residente em Portugal continental, com 15 anos ou mais, é possuidora de depósitos a prazo, de acordo com o estudo “Basef Banca”, divulgado esta semana pela Marktest.

Em rigor, a empresa de estudos de mercado contabilizou 2,964 milhões de titulares de depósitos bancários, o que representa 89,6% da totalidade dos residentes no Continente. O resultado do estudo foi apurado nos quatro meses móveis de Junho de 2008.

Apesar da expressividade dos números, eles traduzem um decréscimo, que tem vindo a acentuar-se desde 2004, depois de ter havido um período de relativa estabilidade logo após o ano 2000. De acordo com o estudo, no período 2000-2008, o recurso àquele produto bancário como forma de poupança baixou 13,2 pontos percentuais.

A posse de um depósito é sobretudo influenciada pela classe social e pela ocupação dos seus titulares. A Marktest conclui que os quadros médios e superiores são os que apresentam maior taxa de detenção daquele produto bancário (54,6%), seguidos dos indivíduos das classes sociais alta e média/alta (51,2%). O valor inferior diz respeito aos jovens dos 15 aos 24 anos (26,1%).

Em termos de ocupações profissionais, os quadros médios e superiores lideram na posse dos depósitos (48,3%), sendo secundados pelos técnicos especializados e pequenos proprietários. Os estudantes estão no fim da tabela, com 27,4%.

Por classes sociais, há uma regressão da alta/média (que lidera com 51,2%) para a média (43,7%), e desta para a classe média/baixa (33,6%).

Nas idades, os grupos etários 25-34 e 35-44 anos destacam-se por absorverem as maiores fatias, com percentagens acima dos 45%, respectivamente.

Na análise por género, verifica-se que os homens são quem tem mais depósitos bancários (41,2%). As mulheres detêm 38,0% desses produtos.

Por regiões, o Litoral Norte (43,3%) e o Interior Norte (42,0%) apresentam-se como as zonas do país onde há uma maior penetração deste produto bancário. Com a crise do “subprime”, que rebentou há um ano, os bancos estão lançar produtos para atrair mais clientes. No contexto, os depósito a prazo revelam-se como a grande aposta da banca. (in JN online)

Crédito malparado dispara mais de 17% e atinge novo recorde em Maio

Monday, July 21st, 2008

O crédito de cobrança duvidosa concedido pelas instituições financeiras a particulares ascendeu no quinto mês do ano a um novo máximo de sempre nos 2,59 mil milhões de euros, mais 2,81% do que no mês anterior e mais 17,32% do que no período homólogo do ano passado.

Segundo o Boletim Estatístico de Julho de 2008 hoje divulgado pelo Banco de Portugal, em Maio o crédito concedido total aumentou 0,61% face a Abril para um novo recorde nos 131,63 mil milhões de euros, o que representa uma progressão de 24,8% em relação ao mesmo mês de 2007.

O crédito malparado representa apenas 1,97% do crédito concedido total, o que indica que a situação em Portugal está dentro das margens de segurança para as instituições financeiras. (in diarioeconomico.com)

Crescimento dos empréstimos bancários a particulares abranda em Maio

Friday, July 18th, 2008

No quinto mês do ano, a taxa de variação anual dos empréstimos bancários concedidos ao sector privado não financeiro diminuiu de 10,5 para 9,7%, face à estabilidade na taxa de variação dos empréstimos a instituições financeiras não monetárias (em 25,8%).

Segundo os Indicadores de Conjuntura de Julho de 2008 hoje divulgados pelo Banco de Portugal, em Maio a taxa de variação anual dos empréstimos bancários concedidos ao sector não monetário (excluindo administrações públicas) diminuiu por seu turno para 10,5%.

“A desaceleração dos empréstimos concedidos ao sector privado não financeiro foi transversal aos vários sectores/segmentos sob análise. A taxa de variação dos empréstimos concedidos a sociedades não financeiras diminuiu em 1,2 pontos percentuais para 12,1%. De igual forma, os empréstimos concedidos a particulares registaram um abrandamento, que se situou em 0,4 pontos percentuais (para 7,3%) no segmento dos empréstimos para aquisição de habitação, e em 0,8 pontos percentuais (para 10,6%) no caso dos empréstimos para consumo e outros fins”, nota o Banco de Portugal.

A mesma fonte precisa que as taxas de juro médias dos saldos de empréstimos bancários e de depósitos do sector privado não financeiro com prazo até dois anos registaram em Maio ligeiros aumentos (na ordem de 5 pontos base). No final de Junho, a taxa de rendibilidade das obrigações do Tesouro com maturidade residual de 10 anos situava-se em 5,08%, nível superior ao observado no final de Maio (4,79%). No dia 14 de Julho, a taxa de rendibilidade das obrigações do Tesouro português com maturidade residual de 10 anos situava-se em 4,86%.  (in diarioeconomico.com)

Acesso ao crédito mais difícil para as empresas

Thursday, July 10th, 2008

Maiores dificuldades de acesso ao crédito, sobretudo para as pequenas empresas, taxas de juro mais altas e maior pessimismo relativamente à conjuntura económica actual e à sua evolução são alguns dos traços que se desenham no panorama da actividade empresarial este ano. Ainda assim, seis em cada dez empresas tencionam manter o investimento neste ano.

“O custo e o acesso ao crédito estão bem mais caros e difíceis, muito particularmente para as micro empresas”, afirmou o presidente da Associação Industrial Portuguesa – Confederação Empresarial (AIP-CE), José Rocha de Matos, durante a apresentação do Inquérito à Actividade Empresarial (IAE).

Das empresas que recorrem ao crédito bancário, a maioria (63 por cento) paga taxas de juro nos empréstimos situadas entre cinco a 7,5 por cento, o que significa um aumento de 22 pontos percentuais em relação ao ano passado.

Segundo o presidente da AIP, este dado ganha ainda mais expressão quando confrontado com o facto de as empresas que pagam taxas de juro inferiores a cinco por cento terem passado de 52 por cento em 2007 para apenas 24 por cento em 2008.

Para além disso, o IAE concluiu que cerca de 20 por cento das empresas que utilizam crédito bancário afirmam ter dificuldades no acesso ao mesmo. Este valor aumenta consideravelmente no caso das micro empresas (31 por cento) e é menor para as grandes companhias (13 por cento).

Por outro lado, cerca de 36 por cento das empresas consideram que, actualmente, o acesso ao crédito está mais restritivo, em relação ao ano anterior.

Contudo, diz Rocha de Matos, o “elemento mais preocupante” é o facto de 88 por cento das empresas (mais 24 por cento do que no ano passado) avaliarem a conjuntura económica como “má ou muito má”, sendo que 69 por cento considera que ela será ainda “pior ou muito pior”.

No entanto, apesar destes condicionantes, o presidente da AIP destaca que as empresas nacionais mostram “vontade e capacidade para continuar a investir”. O IAE concluiu que seis em cada dez empresas tencionam manter o investimento este ano, mas a diferença entre pequenas e grandes companhias é aqui significativa.

As intenções de investimento para 2008 sobem para 82 por cento nas grandes empresas, com uma diferença de mais de 37 por cento em relação às micro empresas. Por outro lado, a percentagem das empresas que admitem aumentar o valor dos investimentos é maior entre as exportadoras (43 por cento) do que nas não exportadoras (36 por cento).

Um cenário semelhante coloca-se relativamente à evolução da procura no mercado externo. Cerca de 68 por cento das empresas exportadores prevêem um aumento das suas exportações em 2008. Ainda assim, no ano passado, esse valor estava nos 80 por cento.

Já em relação ao mercado interno, as perspectivas de evolução da procura não se revelam tão animadoras, sendo que 34 por cento das empresas acreditam que vai ser “inferior ou muito inferior”, 37 por cento afirmam que será “igual” e 29 por cento que será “superior ou muito superior”.

Ainda assim, 57 por cento das empresas consideram a sua situação financeira como normal e 26 por cento como boa ou muito boa. No que se refere ao volume de negócios em 2007, 63 por cento das empresas referem que foi superior ao registado no ano anterior.

A AIP elabora o IAE desde 1995, com base numa amostra formada por empresas associadas e não associadas da AIP-CE, através de inquéritos recolhidos na última semana de Maio e em Junho de 2008, respeitantes a 1260 empresas. (in publico.pt)

Calotes de casas nos 1,31 mil milhões

Thursday, July 3rd, 2008

Por cada dia que passa há 3,8 milhões de euros em empréstimos bancários que correm o risco de não ser pagos. No que diz respeito ao crédito à habitação, são mais de 1,31 mil milhões de euros que estão em risco de não pagamento.

De acordo com Boletim Estatístico de Abril, ontem revelado pelo Banco de Portugal, o crédito de cobrança duvidosa aumentou 113 milhões de euros de Janeiro para Fevereiro, totalizando 2,39 mil milhões de euros.

No crédito ao consumo o malparado totaliza 569 milhões (ver gráfico).

Pelo terceiro mês consecutivo, o crédito de cobrança duvidosa regista uma subida. De Dezembro a Fevereiro, o montante de empréstimos que correm o risco de não ser pagos subiu 183 milhões de euros.

O aumento das taxas de juro tem obrigado milhares de famílias a renegociarem os créditos bancários, numa tentativa de evitarem que a prestação mensal fique mais pesada. De Dezembro de 2007 a Abril de 2008 a taxa de juro Euribor a seis meses (o principal indexante dos créditos à habitação) passou de 4,40 para 4,81 por cento. A somar a esta evolução do principal indicador do crédito à habitação, as instituições bancárias estão a aumentar os spreads (acréscimo à taxa de juro feito pelos bancos de acordo com o risco dos clientes) como forma de defesa, face à crise financeira internacional.

A tendência de subida do malparado deverá acompanhar o crescimento dos juros. Ontem, o banco central alemão, Bundesbank, afirmou que o Banco Central Europeu (BCE) deve aumentar a taxa de juro de referência da Zona Euro caso se torne claro que a estabilidade dos preços está em risco.

As pressões inflacionistas aumentaram ‘consideravelmente nos últimos meses e a estabilidade dos preços deteriorou-se significativamente’, adiantou o banco alemão numa nota ontem divulgada pela Bloomberg.

Na última semana, vários responsáveis do BCE afirmaram que não há margem para descer os juros – quando a inflação está no nível mais elevado dos últimos 16 anos.

113 milhões por mês

Pelo terceiro mês consecutivo o crédito malparado subiu, atingindo os 2,39 mil milhões de euros.Os calotes subiram 10% face ao mesmo períodode 2007

Como defender-se da subida das taxas

Estender o prazo do empréstimo até 50 anos

A Caixa Geral de Depósitos oferece soluções para fazer face a surpresas. Pode-se alargar o tempo do empréstimo até 50 anos, reduzindo o valor pago mensalmente. O cliente pode ainda pagar um valor fixo da prestação, aumentando ou diminuindo o prazo do empréstimo conforme as taxas de juro.

Modalidade de taxas fixas no crédito

O crédito à habitação do BES oferece a modalidade de taxa fixa, na qual a taxa de juro é sempre a mesma, não estando sujeita às variações do mercado. Também há uma outra possibilidade, a de fazer um intervalo das prestações em momentos de maiores dificuldades financeiras.

Reduzir prestação até 50 % por 5 anos

Para além da prestação de igual valor ao longo do contrato, para o cliente se proteger das subidas das taxas de juro o Millennium BCP tem ainda a opção de reduzir até 50% o valor da prestação, por um período máximo de cinco anos. Durante esse tempo a prestação é independente das variações das taxas de juro.

Prestação mista que vai crescendo

O BPI oferece a modalidade de prestações mistas, em que a prestação começa por ser reduzida e vai crescendo durante os primeiros dez anos, permanecendo a partir dessa data constante até ao final do empréstimo. Deste modo, a prestação adapta-se de forma gradual às famílias.

Taxa Euribor a seis meses nos 4,81%

O principal indexante utilizado no crédito à habitação – a taxa de juro Euribor a seis meses - registou ontem um novo máximo, ao atingir os 4,81 por cento, algo que não acontecia desde Dezembro de 2007. A subida de ontem da Euribor foia sétima consecutiva.

Crédito ao consumo sempre a subir

O crédito ao consumo não tem parado de subir, apesar do aumento do preço do dinheiro. Em Fevereiro os empréstimos totalizavam 13,93 mil milhões. Desse total, 569 milhões são considerados como crédito de cobrança duvidosa.

Eduardo Catroga, antigo ministro das finanças, defende que deveser aliviada a carga fiscal das famílias

‘Precisamos de baixar impostos’

Correio da Manhã – Como vê o aumento do crédito malparado nas famílias portuguesas?

Eduardo Catroga – O Estado exerce uma pressão fiscal sobre as famílias e empresas que é preciso aliviar. Não se explica que comparativamente a Espanha os portugueses tenham um esforço fiscal 37 por cento superior, dado o nível de riqueza.

– O que pode ser feito para aliviar essa carga fiscal?

– Já foram tomadas algumas medidas, como o alargamento do crédito bonificado. Mas o Estado pode alargar os prazos de isenção do Impostos Municipal sobre os Imóveis dos casais jovens ou reduzir transitoriamente o Imposto Municipal sobre Transacções. Também podia acelerar-se os reembolsos do IVA e a entrega dos fundos do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional.

– Defende a descida de impostos?

– Defendo um choque simultâneo da redução da despesa pública e baixa de impostos. Espanha vai baixar impostos; nós precisamos de baixar impostos. E precisamos de congelar a despesa durante alguns anos, o que obrigaria a sermos mais selectivos com a despesa. Sou a favor de plafonds da despesa.

– Que impostos é que, junto com a despesa, deviam descer?

– Devia baixar o IRC, o IRS, o imposto sobre produtos petrolíferos, de forma aliviar a pressão financeira das famílias. O esforço fiscal cair dos 37 para os três por cento.

– Que medidas podem ser tomadas para animar a economia portuguesa?

– O Estado tem de pagar o que deve aos privados. A dívida ronda os dois a três mil milhões de euros e se o Estado emitisse dívida pública era uma injecção de liquidez de pelo menos um por cento da riqueza produzida.

– Que efeitos essa injecção produziria?

– A dívida já existe, é uma questão de assumir a verdade. Ia aumentar o poder negocial do Estado junto dos seus credores, baixando os preços que são pagos pelos contribuintes e aliviando a tesouraria de muitas empresas.

Ajuda de 60 mil milhões

O Banco de Inglaterra anunciou ontem um plano especial de liquidez para os bancos no valor de 60 mil milhões de euros

Perdas no subprime

As perdas mundiais com o subprime, desde o início de 2007, ascendem a 288 mil milhões de dólares, segundo a Bloomberg

Casas a preço de custo

Uma centena de promotores imobiliários espanhóis colocou no mercado duas mil casas novas a preço de custo

DISTRIBUIÇÃO DA COBRANÇA DUVIDOSA POR TIPO DE EMPRÉSTIMO

Habitação - 1,315

Consumo - 569

Outros fins - 505

EVOLUÇÃO DO CRÉDITO MALPARADO NO SECTOR FINANCEIRO (EM MILHÕES DE EUROS)

MÊS 2007 2008
Janeiro 2,068 -
Fevereiro 2,164 -
Março 2,164 -
Abril 2,167 -
Maio 2,211 -
Junho 2,162 -
Julho 2,201 -
Agosto 2,215 -
Setembro 2,185 -
Outubro 2,238 -
Novembro 2,367 -
Dezembro 2,207 -
Janeiro - 2,277
Fevereiro - 2,390

EURIBOR A 6 MESES

21 de Abril de 2008 - 4,817 % (in correio da manha online)

Habitacao: 157.365 novos contratos de emprestimo bancario em 2006

Thursday, July 3rd, 2008

Em 2006 foram contratados 157.365 empréstimos bancários para habitação no montante global de 14.812,33 milhões de euros, com um montante médio por contrato de 94.100 euros, segundo informação da Direcção-geral do Tesouro e das Finanças.

A informação, hoje publicada em Diário da República, revela que em 2006 foram realizados no Continente 148.957 contratos de crédito à habitação com um montante médio de 94.200 euros por mutuário, registando-se nos Açores 4.089 contratos, com um valor médio de 85.500 euro,s e na Madeira 4.319 contratos com um montante médio de 98.500 euros.

Em relação a 2005 verificou-se uma quebra de 4,76 por cento no número de empréstimos bancários para habitação contratados no Continente, com tendência inversa nas duas regiões autónomas: mais 3,68 por cento nos Açores e mais 6,41 por cento na Madeira.

Em termos de montantes, registou-se um aumento de 2,13 por cento no Continente, de 3,0 por cento nos Açores e uma subida de 15,79 por cento na Madeira, segundo aquela Direcção-geral.

Os números da Direcção-geral do Tesouro e Finanças indicam que a 31 de Dezembro de 2006 estavam em vigor 1.681.380 contratos de crédito à habitação, dos quais 1.195.918 do regime geral (o único que ainda vigora), 250.030 do regime bonificado jovem e 235.432 de outros regimes bonificados.

Os regimes bonificados deixaram de vigorar em 2002, mantendo-se apenas para os contratos já existentes naquele ano.

O montante acumulado de crédito bancário para habitação no fim do ano passado ascendia a 91.220 milhões de euros, sendo 71.901 milhões de euros relativos ao regime geral, 11.447 milhões de euros do regime jovem bonificado e 7.872 milhões de euros do outros regimes bonificados.

O montante médio por empréstimo em vigor em 31 de Dezembro passado era de 54.300 euros por mutuário, com 60.100 euros no regime geral, 45.800 euros no jovem bonificado e 33.400 noutros regimes bonificados.

Relativamente apenas ao quarto trimestre de 2006, foram contratados em Portugal 38.644 novos empréstimos bancários para habitação, num montante total 36.780,13 milhões de euros, o equivalente a 95.200 euros por contrato.

No quarto trimestre, no Continente verificou-se uma redução de 8,17 por cento no número de novos contratos e uma diminuição de 3,40 por cento no montante total emprestado.

Quanto aos Açores verificou-se uma quebra de 5,67 por cento no número de contratos e uma descida de 8,94 por cento no valor global e na Madeira ocorreu uma queda de 3,03 por cento no número de novos empréstimos mas um acréscimo de 3,05 no montante total emprestado. (in Jn online)